Atração turística brasileira na Alemanha
Atração turística brasileira na Alemanha
O brasileiro que vai ver as maravilhas de Dresden em geral estica para conhecer também Meissen, ali perto, e suas porcelanas famosas. No caminho, muitas vezes deixa escapar a oportunidade de ver interessante atração turística brasileira na Alemanha. Ao passar por Badeleur, é preciso dar um pulo ao castelo de Hoflossnitz, mais um pavilhão de caça do que residência ou fortificação mas onde há um salão com o teto todo pintado com aves brasileiras do Século XVII, de autoria atribuída nada menos do que a Albert Eckhout, um dos pintores holandeses que Maurício de Nassau levou para retratar e documentar seus domínios em Pernambuco.
O outro pintor da dupla era Franz Post, autor de belas paisagens. Eckhout voltou-se mais para a pintura dos indígenas e de nossas plantas, frutas, e animais. Sua documentação é mais precisa, abrange também objetos expressivos da cultura indígena de então. O mais importante de sua obra pertence ao Museu Nacional de Copenhague (parece que também tem coisa na Universidade de Cracóvia), mas onde vi melhor seus painéis, emprestados pelo Museu dinamarquês, imensos e espetaculares, magnificamente expostos, foi numa exposição-homenagem a João Maurício de Nassau promovida no começo da década na cidade onde o Príncipe foi criado e jazem seus restos, Siegen, entre Frankfurt e Colônia, bem perto de Dillenburg, aldeia-natal de nosso nobre pernambucano. Muitos compatriotas fomos lá na ocasião, em excursão organizada pelo CCBF. Voltamos deslumbrados.
A Eckhout também é atribuído o teto com pássaros brasileiros de Hoflossnitz, supostamente pintado – talvez com alguns colaboradores - quando o artista trabalhou para o Príncipe-Eleitor da Saxônia, já de regresso de sua aventura em Recife e Olinda. Os pássaros não são tão extraordinários como os índios, plantas e frutas de Copenhague, mas nenhum brasileiro perderá a viagem, pois no castelo se produz também, desde 1401, esplêndido vinho branco, seco mas discretamente frutado. Não foi por amor à arte, ou às aves, que eu encomendei várias caixas e as servi a meus convidados alemães como uma lembrança saborosa de laços antigos e desconhecidos entre nossos países. Naquele tempo (anos 2.001/2.002), as garrafas vinham com rótulos em que apareciam reproduções coloridas do teto-aviário de Eckhout. Passarinho brasileiro em vinho alemão, produzido desde um século antes de o Brasil existir...

Há quem desmereça a qualidade artística das telas de Eckhout, embora ninguém conteste seu inestimável valor histórico. Pessoalmente, eu as acho uma maravilha também estética, além de extraordinário documento de nosso passado, retratando com traços ousados e cores vigorosas a identidade original do brasileiro e de seu habitat, com antropofagia e tudo – sem falar de rainhas africanas visitantes, que Nassau também recebia na fantasia de criar seu império equatorial, transatlântico. Mas isso, quem quiser ver vai ter de ir a Copenhague. Pelo menos enquanto a gente não leva os tapuias de volta para o Brasil. Ainda vou lançar uma campanha nacional para conseguir isso!
Por sorte nossas aves estão aqui pertinho. Quando ia a Badeleur, era fácil e expedito: só chegar, pagar a entrada e visitar o castelo, para depois experimentar e comprar o vinhozinho com gosto de História. Agora parece mais complicado, pelo que vi na Internet. Tem visita guiada, inclusive aos vinhedos, tem restaurante, hotel, museu, seminários. Os curiosos podem começar a pesquisar aqui: http://www.hofloessnitz-shop.de/Ihre-Feiern/Hochzeiten.html. Essa página abre exatamente com foto e vídeo do salão de Eckhout; lidando com o mouse, dá para mover a imagem e ver bem o teto – e nossas aves quase quadricentenárias, em plena Saxônia.
Quero voltar lá. Quem for antes, bem que poderia dar-me umas dicas sobre como é agora. E também mandar para este blogue suas impressões da visita, para orientação atualizada de outros eventuais interessados.




